Livro: se você me chamar eu largo tudo… mas por favor me chame – Albert Espinosa

Como cresci com uma mãe ilustradora e um irmão superleitor, cresci rodeada de livros e é raro eu comprar um. Não me lembro de quantos comprei (talvez esse tenha sido o segundo), mas não consegui fugir dele. Num passeio aleatório em alguma livraria, me chamou a atenção – tipo amor à primeira vista mesmo. Devorei em poucos dias. Voltando pro recife, devorei novamente em poucas horas.

A história no fim das contas é a mais simples possível: um investigador é contratado para encontrar uma criança. Mas a história na verdade não é essa. É uma história de descoberta e reencontro consigo mesmo. O livro começa com uma cena de briga do casal. E durante a investigação, revivemos com o personagem principal momentos da vida que lhe geraram crescimento e aprendizado, e que lhe formaram como ser humano. E vamos nos descobrindo junto com ele.

Leitura é simples, mas a ordem cronológica é frágil, sendo um livro de várias idas e voltas, o que pode perder o leitor desatento. Mas é uma leitura leve que lhe deixa feliz. É um mergulho em si através do mergulho do outro. Um momento de reflexão, de percebimento de onde você caminhou e para onde está indo. Esse livro, para mim, é um respiro.

Destaco aqui os trechos que marquei durante o vôo.

“Somos energia – ele me disse enquanto segurava o saco, imóvel, esperando meu golpe. – Energia é o que eu vejo em todo este mundo. Energias que o inundam quando você as vê, quando as escuta, quando as ama, quando se deu conta de que as amava… Energias que permitem que você encontre seus caminhos. Não se pode fingir as energias, elas são o que são. Podem ajudá-lo a ver seu futuro ou a devolver sua infância ou sua adolescência. Eu procuro energias. Não me importam a idade, o sexo ou o aspecto físico. Por trás dos corpos, por trás das palavras, por trás do amor, por trás do desejo, estão essas energias poderosas. Somos caçadores de energia, Dani.”

energia

“- Parar o mundo é decidir conscientemente que vai sair dele para se melhorar e melhorá-lo. Para poder se mover e movê-lo melhor. Nesse tempo, você deve tentar fazer com que ninguém nem nada crie problemas para você. Alimentar-se de boa literatura, de bom cinema e, sobretudo, da conversa de uma única pessoa que o inspire nesse mundo. E sabe o quê…?”

parar o mundo

“- Pedaços das minhas pérolas. Quando alguma desaparece do meu mundo, pego parte de sua roupa, ou um objeto importante que a defina, e o introduzo no saco. Tem muitos pertences dela aqui. Às vezes golpeio o saco com raiva, outras o acaricio e, algumas vezes, danço com ela e com as outras pessoas que me deixaram.”

3

“- Tudo passa pelo pescoço – me disse. – Se você movê-lo bem, todo o seu mundo vai melhorar, pois corpo e mente vão se conectar…”

título

É um livro com uma energia boa, de luz e leveza. Mal posso esperar para reler (de novo) durante um jejum (assunto de post futuro!), e usá-lo para, como o autor fala, parar o mundo.

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