Sua opinião vale quanto?

Uma coisa que me incomoda absurdamente no mundo de hoje é a necessidade, principalmente entre os jovens, de tecer comentários acerca de tudo. Se você é uma pessoa muito intelectualizada que vive pesquisando sobre os mais diversos temas “pertinentes” a discussões atuais – operação lava-jato, crise financeira, desigualdade social, feminismo, transexualidade, racismo, sistema presidiário, reforma psiquiátrica, imigração de haitianos, dentre outros – e possui um grande domínio sobre eles: parabéns! É realmente de se orgulhar e de utilizar seus argumentos para fomentar uma discussão.

Entretanto, dificilmente (para não dizer ser impossível) alguém consegue dar conta de tanta diversidade, e no fundo o único domínio que tem é em algo que substitui conhecimento em qualquer um desses assuntos: o da arte de falar besteira.

Aí o que vemos, principalmente pela internet, são os economistas, sociólogos, médicos, advogados e *coloque uma profissão aqui* de fachada. Não estou defendendo que não se pode dar opinião, estou defendendo que se pondere o valor que seu comentário tem sobre um assunto e agregará a uma discussão. Já existe tanta gente falando sobre tudo, que seria mais interessante usar sua voz como destaque de algo importante no meio dessa discussão, ou no objetivo de trazer algo novo ao debate.

É muito mais valioso ler e se inteirar de um assunto do que chegar para dar um comentário sem nenhum embasamento, digno de réplicas e “turn down for what”. Por isso, aplaudi e gritei com a performance de Glória Pires no Oscar, que foi maravilhosa assumindo que não tinha visto todos os filmes do Oscar e deixando claro quando não se julgava competente para comentar algo, gerando uma série de memes maravilhosos que criaram bastante identificação entre as pessoas.

25 - glória pires

Claro que se espera um mínimo de conhecimento de um “comentador televisivo” de uma cerimônia, mas o que destaco é que muito melhor do que ela fazer comentários aleatórios sobre um filme que ela não assistiu é ela manter-se calada poupando as pessoas de se contorcerem na cadeira por ouvirem coisas absurdas e sem sentido (e, claro, permitindo outras muitas se contaminarem pelo que ouviram tratando como verdade absoluta).

A ideia desse texto veio por conta do protesto que houve no domingo, e a quantidade de pessoas falando coisas e dando opiniões sem sentido. Talvez se houvesse mais coerência e menos efeito-manada, as manifestações no Brasil pudessem obter um resultado mais efetivo.

Vamos rever o uso da nossa voz (tanto física quanto virtual) e nossas militâncias e checar o quão coerente estamos sendo com os nossos conhecimentos. Não é preciso ter medo em rever opiniões, considerar novas variáveis e rever posicionamentos. Mas se dê a oportunidade de conhecer algo antes de comentar ou julgar. Isso fará não só melhor para você, que começará a se aprofundar mais em alguns assuntos e nutrirá discussões com embasamento, o que ampliará a troca de ideias com conteúdo – como de muitos dos seus amigos, que serão poupados de ouvir ou ler uma série de asneiras que você compartilhará não por divergência de opiniões, mas por falta da busca pelo conhecimento.

Afinal, não sei você, mas entre uma quantidade significável de opiniões ou uma opinião de qualidade: eu voto pela qualidade…

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