Diário do nosso carnaval 2016 (edição RJ)

Oi, pessoal! Estamos aqui hoje para fazer um post conjunto e narrar para vocês como foi essa nossa semana de Carnaval. Espero que sirva como dica de como aproveitar o Carnaval carioca; não só onde ir, mas erros a serem evitados. Esta jornada está narrada isoladamente por cada um, tendo uma conexão no maravilhoso sábado (como alguns puderam ver na foto que postamos na página do facebook do andares). Luba não participou conosco dessa narrativa, porque optou por um carnaval mais light à moda netflix e família, com uma única saída para Olinda. E nada mais justo não é mesmo? O importante é usar o feriado da maneira que tiver vontade. Só não pode deixar de aproveitar! =D

Quinta (04/02)

Zuko: fui ao Bloco das Patrícias na Cantareira (em Niterói). A Cantareira é uma praça que fica do lado de fora do campus da UFF de Gragoatá, e toda quinta-feira enche de pessoas – em sua maioria, estudantes que saem direto da aula para beber. Essa foi mais uma “Quintareira” habitual, pois o bloco ocupou pouquíssimo da praça. No evento, constava que teria show de drag e bateria de escola de samba, mas se teve foi muito rápido porque eu sequer vi (passei um tempo sentado em um bar enquanto o palco estava sendo montado e um pouco depois dele ter efetivamente começado). Na verdade, só ouvir tocar música eletrônica, o que foi bem deprimente diante da expectativa que eu tinha de tocar músicas legais (fossem na vibe do pop, ou no espírito carnavalesco com marchinhas). E fiquei envergonhado de ter preparado todo um look genderfuck que ficou perdido diante do fato de não ter quase ninguém sequer fantasiado.

Lu: melhor começo de carnaval ever, com a troça mais pernambucana vindo pro rio de janeiro só pra me fazer feliz. Nação Zumbi, Eddie, Siba e uma orquestra de frevo [com direito a mini-boneco gigante] deram o pontapé inicial no que já prometia ser um carnaval ótimo.

Sexta (05/02)

Zuko: combinei com uns amigos de ir ao Bloco Dominó, aqui em Niterói. Mas ao chegar não curtimos muito e acabamos fazendo nossa noite em um bar. Chegamos à conclusão que Carnaval mesmo só do outro lado da ponte, então nos dias que seguiram optamos sempre pelos blocos do Rio. Na verdade, no sábado passado (30/01) teve o Bloquete, e meu amigo – que estava comigo tanto no das Patrícias quanto no Dominó – comentou que tinha sido incrível. Então fica a dica para quem for de Niterói ficar ligado nele, que aparentemente ocorre antes do Carnaval efetivamente começar.

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Lu: sexta foi um dia de trabalho. Não tinha nada programado, então foi ótimo me chamarem pra fazer extra, porque deu pra juntar uma graninha tb, hehehe.

Sábado (06/02)

Zuko e Lu: eu, Zuko, comecei o dia numa programação não-carnavalesca de ir à praia. Às 15h, na Praça Jóia Valansi (em Botafogo), rolou o Bloco Toco-Xona. E eu, Lu, dormi até começar esse lindo dia junto com zuko no Tocoxona, que foi maravilhoso! 😀 A energia estava maravilhosa, com muita gente fantasiada, alegre e exalando beleza física e espiritual. Um problema gritante, entretanto, era o som, que por estar baixíssimo e abafado mal se ouviam as músicas que estavam sendo tocadas pela banda (e nós nem estávamos tão longe do palco). Achei a praça um lugar ótimo para o bloco, porque deu um ar clean e ajudou a reduzir um pouco o calor exorbitante do Rio de Janeiro, apesar de ter sido pequena para a quantidade de pessoas que estava concentrada lá, ficando bem apertado. A partir de certo momento (por volta das 19h), as pessoas já estavam em sua grande parte alcoolizadas e a falta de mobilidade pelo excesso de gente no bloco acabou trazendo à tona pessoas mais sem noção e chatas (de empurrarem para passar, etc.), e aí optamos por ir embora do bloco. Fomos para a Lapa em um ônibus super animado devido a um rapaz que, com um megafone, ficava cantando e instigando o pessoal. Lá, escolhemos ir à festa Gruta na Casa Nuvem. Eu, particularmente, não gostei muito do som que estava tocando (muito psicodélico) e estava tudo beeem alternativo. Não é muito a minha praia, mas até que deu para aproveitar. Para mim, a casa nuvem foi incrível [ele não tava no clima, mas amo aqueles tuts-tuts louco]. No dia seguinte, a Casa Nuvem anunciou o cancelamento das demais festas do carnaval devido a um caso de transfobia que aconteceu na sexta-feira. Por último, passamos no palco do RioMarchinhas (organizado nos Arcos da Lapa pela RioTur em parceria com a Fundição Progresso) e vimos o final do show de samba que estava rolando. Muito bom para dançar, mas eu já estava bastante cansado. O samba na lapa foi lindo. Fui bem feliz!
– Queria fazer uma obs agora: o que era esse menino maravilhoso vestido de Ash de barba com glitter sendo parado, gritado e admirado por todos que passam por nós? Não existem palavras pra descrever o nível foda chegado nesse dia, hahaha.
– Meu charme só foi tamanho porque tinha companhias lindas e charmosas na minha equipe, hahahaha. Mas o dia foi muito foda mesmo! ❤

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Domingo (07/02)

Zuko: depois do dia intenso de ontem, acabei optando por ceder à minha mazela e usar o domingo para descansar.

Lu: mais um dia de trabalho, dessa vez numa boate. Gente, e quanto trabalho viu? O negócio bombou, a estrutura não aguentou e só consegui tomar meu primeiro gole de água às quatro da matina. Foi pesado, mas pelo menos pareceu bem rápido.

Segunda (08/02)

Zuko: foi dia do Bunytos de Corpo, bloco que surgiu em Recife (<3) e veio para o Rio. A concentração estava marcada para 16h na Tiradentes, e chegamos lá pontualmente. Entretanto, a organização foi bem sacana e saiu com o bloco de outro lugar/horário e ficamos todos que lá estavam perdidíssimos, só recebendo informação do boca-a-boca. Foi numa dessas que eu e meu amigo fizemos amizade com duas meninas também de Niterói (tínhamos trocado um primeiro contato na saída da barca perguntando se elas tavam indo pro Bunytos – a vantagem do dresscode bem definido). Conseguimos extrair informações pelo caminho e chegar até onde o trio estava passando. Tava lo-ta-dís-si-mo! Mas a energia estava super legal, com a grande maioria seguindo o dresscode (que era usar roupas de academia/malhação), e músicas muito boas. O aglomerado no ponto final também estava bem bacana. No geral, apesar da animação do bloco, senti falta do que tava proposto no vídeo de divulgação (zoação com uns aquecimentos, alongamentos, e esportes como “nado sincronizado”), provavelmente por essa sacanagem de partirem antes do horário combinado e deixar os foliões interessados na mão. Bunytos de Corpo e Viemos do Egyto eram os blocos que eu tava com maior expectativa, mas este, ainda que eu tenha me divertido devido às pessoas que estavam comigo, me desapontou em termos de organização (até o momento, os organizadores não se pronunciaram sobre as várias críticas recebidas no facebook). De lá, saímos para o Arco do Teles, que estava lotadíssimo. Foi divertido e tava tocando umas músicas legais, mas meu cansaço me impediu de curtir mais.

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Lu: completamente deprimida porque eu queria ter ido pro bunytos com zuko, mas não fui. Tava acabadíssima do trabalho do dia anterior. Mas ai a melhor notícia: uma amigo me liga dizendo que tem ingresso sobrando pro Sambódromo. Gentxi, recifense é o povo mais megalomaníaco e egóico que existe [em linha reta, claro] e sempre tive um preconceito triste com escola de samba [pq frevo é melhor], mas vou te dizer, foi incrível! A primeira escola teve como tema pernambuco, fui assistindo super interessada, mas ao mesmo tempo sem me identificar [porque né] e pensando várias vezes “o que era exatamente pra eu ta sentindo? porque eu to só aqui de boas”. Mas quando deu seis horas da manhã e eu ainda estava louca sambando e pulando depois da Mangueira, eu entendi o que é ir pro desfile. Foi muito incrível, emoção, sentimento, energia, foi lindo, lindo, lindo. Saí de lá extremamente feliz e agradecida de ter tido a oportunidade de participar daquele momento.

20 - lu no sambodromo

Terça (09/02)

Zuko: como a última barca para Niterói é às 23h30 e pegar ônibus no Carnaval está sendo inviável, meu intuito foi virar a noite para pegar a primeira barca. Assim, optei por não sair tão cedo de casa e o plano era de chegar por volta das 19h no Rio e passar por algum bloco antes do Viemos do Egyto – o que realmente nos interessava. Entretanto, tivemos uma série de contratempos e acabamos chegando às 20h, e o que estavam comentando é que o bloco começaria às 21h. Depois de mais contratempos perambulambulando à procura, postaram na página (só às 21h) que a concentração seria às 22h no Tribunal de Justiça.
As pessoas estavam todas cheias de brilho, exalando glitter dourado, e muitos estavam em looks impecavelmente egípcios (eu tava com muita vontade de usar minha fantasia de anjinho, então fiz um misto de anjo com egito – e, claro, transbordando o dourado que foi o tom da noite). No âmbito musical, eles alternaram bastante entre hits maravilhosos (É o Tchan, Terrasamba, etc.) e músicas chatas/pouco conhecidas. O bloco seguiu até a praia do Flamengo e lá começou a se misturar com outras pessoas aleatórias, mas ainda assim o peso do glitter dourado reinava. O amanhecer do céu na praia foi incrível e encerrou com chave de ouro meu carnaval.

Lu: esse foi o dia que me arrependi e que tudo desandou. No domingo, quando saí da boate, me chamaram pra trabalhar na terça, senti que não era pra ser, mas decidi aceitar [quem tá sem trabalho entende que não dá pra sair negando extra assim]. Fui. A festa tava incrível, maravilhosa, tuts-tuts louco como tem que ser. Foi quando olhei o relógio e percebi que já tinha passado 1 hora do meu horário de trabalho “posso ir embora?” “então, a casa ta lotada, vc pode ficar mais?” ok, tava lotada mesmo e o povo tava se matando de trabalhar. Continuei trabalhando linda, leve e dançante. Mas já perto do final, quando me esgotei, a bartender que tava comigo começou a me explorar, fiquei puta. Depois a gerente me enrolou com a hora da saída. Fiquei mais puta ainda. Claro, trabalhei até o final e de bom humor, mas quando finalmente fui liberada, saí cansada e transtornadíssima do lugar. Sério. E ai juntou cansaço de doze horas de trabalho, com estresse, com fome [meu jantar tinha sido na primeira hora de trabalho], com último dia de um carnaval bem aproveitado e passei os próximos dois dias na cama, ardendo em febre. Perdi a quarta-feira de cinzas [ou aproveitei ao máximo na bad? hahaha] e ainda perdi um dia de trabalho na quinta. Foi o suficiente pra miar meu carnaval.

SALDO FINAL:

Zuko: Apesar de vários transtornos e contratempos, deu para me divertir bastante. Uma coisa que eu amei do carnaval carioca é a dedicação das pessoas nas fantasias. Vi muitos looks maravilhosos e que, provavelmente, exigiram muita dedicação na construção ou um insight criativo enorme. Pude usar e abusar da barba de glitter que dei como dica para vocês aqui no blog. Em suma, curti muito! E se aqui não consegui transmitir tanto essa energia, é porque até 2014 eu não era muito fã de carnaval (parte por conta do aglomerado de pessoas, outra pela conotação de “pegação” que ele costuma levar – e que não é minha vibe, etc.). Agora descobri o quão incrível e animado ele pode ser, e próximo ano terei de enfrentar o dilema entre ficar no Rio e curtir mais um ano de Toco-Xona, Egyto e outros blocos que conhecerei ou ir para Recife e me lambuzar no Bloco da Lama e reviver minha fantasia do drA(g)sh no Pokebloco. Hahaha =)

Lu: O que começou incrível, terminou bem mal. Não tem como negar que consegui aproveitar o máximo do que o carnaval do rio tem a oferecer: um dia de blocos e um dia de sambódromo, e foi muito incrível-maravilhoso-quero mais. Mas preferia ter usado a terça e a quarta pra mais blocos, mas enfim. De carnaval, carnaval mesmo ficou uma lembrança doce de que foi incrível e pode ainda melhorar. De vida, ficou uma lição: dinheiro não é tudo. Aliás, não é nada. E outra: simplesmente existem pessoas que não se importam com as outras, e com elas vc tb não deve se importar a ponto de lhe atrapalhar.

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