Minhas metas na expectativa de um 2015.2

Eis que se aproxima o momento de despedida de 2015.

Diante de todas as mudanças (tanto espaciais quanto psicológicas) que este ano me trouxe, não tem como ele não entrar na lista dos melhores anos que já vivi.

Tive a oportunidade de realizar o sonho de morar por um tempo em outro país, onde visitei lugares incríveis, conheci pessoas maravilhosas, e aprendi a valorizar alguns elementos do Brasil, mas aguçando minha personalidade crítica para vários outros. Foi lá onde consegui encontrar uma corda para sair do buraco que tinha cavado e traçar novos rumos para minha vida. A distância de morar em outro país temporariamente me ajudou como primeira etapa para a mudança posterior que eu já planejara. Após optar por finalmente correr atrás do meu sonho de cursar Psicologia, a UFF (Universidade que eu já tinha me cativado desde o ENECO de 2010, e que eu tinha uma grade curricular de Psicologia bem de acordo com o que eu buscava) caiu de paraquedas para mim quando disponibilizou vagas pelo SiSu para 2ª entrada. Apesar das turbulências (culpa minha, pois se eu tivesse conhecimento da greve teria me poupado), mudei-me com sucesso para Niterói. Passei um tempo de tortura sem ter muito o que fazer, mas esse foi fundamental para eu correr atrás de outro sonho antigo e me dedicar completamente para ele durante meu ócio: o teatro. Cada um desses três elementos (Canadá, Psicologia e Teatro), mudaram minha pessoa e contribuíram fundamentalmente para eu visualizar 2015 como um ano de sucessos para mim, tal como foi 2013.

Neste post, eu pretendo traçar minhas metas para o próximo ano. A intenção de começar com uma breve retrospectiva de 2015 é porque meus desejos estão completamente relacionados a este ano, seja em continuar o que eu começara ou de ir na busca de suprir outros desejos. Assim, não estou tratando 2016 necessariamente como um novo ano, mas sim como um 2015.2. Acho que o fato de a apresentação de fim de módulo do teatro ser em fevereiro, minhas aulas do primeiro período da UFF só terminarem em abril e minha prova do CAE só ser em junho me dificultam enxergar o que fiz esse ano como tendo um marco transitório agora. De qualquer maneira, nunca se é cedo ou tarde para se criar metas.

Em uma aula do meu curso de Hotelaria, meu professor enfatizou bastante um trecho do livro que destacava que metas/objetivos devem ser: (i) escritos em algum lugar; (ii) compreensíveis; (iii) realistas, mas desafiadores; (iv) específicos e mensuráveis. Seguindo esses direcionamentos, aqui estão elas:

Meta 1: Conseguir meu Certificate of Advanced English (CAE)

Ao me deparar com a integralidade do curso de Psicologia na UFF, que me restringe muitas possibilidades de emprego (e sendo isto algo bastante necessário diante do alto custo de vida do RJ), comecei a pensar em trabalhos cujos horários fossem mais flexíveis que a rotina tradicional. Isto porque tanto tenho dias em que as aulas começam às 11h, como outros em que acabam às 22h. Assim, uma das possibilidades que me veio à cabeça foi usar do benefício de ter estudado inglês por 8 anos na minha vida e recentemente ter tido a oportunidade de morar um tempo fora para tentar o ensino de inglês em algum lugar. Foi então que entrei em um preparatório (porque desde 2007, quando fiz o preparatório para o FCE, não tive mais aulas de inglês em sala de aula, então perdi um pouco o tato desse estilo de prova) para a prova do CAE. Ainda que eu acabe não conseguindo usá-lo para conseguir ensinar inglês (já que o ideal seria ter uma graduação em andamento em Letras ou um CPE pelo menos), ter um certificado de Cambridge me abrirá muitas portas, pois não apenas substitui a necessidade de realizar TOEFL/IELTS ou provas de proficiência em língua inglesa em muitos processos seletivos que os exigem, mas o caráter de validade indeterminado amplia significativamente minhas possibilidades de uso.

Meta 2: Aprender a andar de bicicleta e fazer o trajeto da minha casa até a Universidade

Sim, eu nunca soube. Quando criança, andava em uma de rodinhas, mas nunca as abandonei. Logo pendi para os patins e patinetes e nunca tive interesse em aprender a andar de bicicleta. Agora, em Niterói, percebo que desfrutar de uma bicicleta seria muito bom para mim. Primeiro porque os lugares de minha rotina (faculdade, curso de inglês e teatro) não ficam a mais de 2km de distância de minha residência, então fica relativamente cansativo para se ir todos os dias a pé, mas desnecessário esperar e pegar um ônibus para isso. Assim, me pouparia tempo ou gastos com transporte. Segundo, porque não tenho paciência para academia, mas sinto que preciso fazer alguma atividade física por questão de saúde, então acredito que pedalar pode suprir essa necessidade. Por fim, bicicleta é um meio de transporte que não polui o ambiente, então em meio a esse desenvolvimento de uma consciência populacional ecológica é importante o uso de instrumentos assim.

Meta 3: Conseguir um estágio e/ou iniciação científica ligados à Psicologia

Um dos grandes motores para a minha paixão de estudo da Ciência Econômica foi minha entrada no Programa de Educação Tutorial (PET). Meu envolvimento em atividades de pesquisa, ensino e extensão, com a aplicação de alguns conceitos econômicos e aprofundamento de outras temáticas me encantaram e aumentaram meu interesse no curso. Recém-iniciado o curso de Psicologia, vejo que seria muito positivo me engajar em atividades de um senso mais “prático” ou que de alguma maneira coloquem em uso os conhecimentos adquiridos na sala de aula, em uma tentativa de atingir esse mesmo efeito. O contato maior com os problemas do mundo buscando tentar diminuí-los (seja estudando academicamente ou lidando com uma atuação direta num estágio em hospital ou ambiente correlato) me trará também uma satisfação pessoal enorme. Além disso, ainda que as bolsas costumem ser ínfimas, serviriam de ajuda também para minhas questões financeiras.

Meta 4: Fazer o meu melhor nas duas peças de fim de módulo do teatro que atuarei

Futuramente farei um post aqui explorando o prazer e encantamento que o teatro vem me proporcionando. Mas explicando melhor essa meta: todo final de módulo (ao término de seis meses), os alunos da escola onde eu faço meu curso (a Oficina Social de Teatro) entram em cartaz com uma peça. O final deste módulo será em fevereiro, e no dia 24/02/16 nos apresentaremos com uma adaptação da peça O Despertar da Primavera do dramaturgo Frank Wedekind. Não gosto de metas não mensuráveis, pelas razões que já destaquei anteriormente baseadas nas aulas de Kevin no curso de Hotelaria. Entretanto, é importante que eu coloque isto como uma “meta” pois na dança de salão aprendi quão estressantes e puxados podem ser alguns ensaios, e todas as assombrações de nossas personalidades vêm à tona nesses momentos. Mas não posso me permitir abaixar a cabeça, e irei absorver todas as críticas e dar o meu melhor, não só agora em fevereiro como também no final do ano (provavelmente em meados de setembro) na peça de encerramento do módulo seguinte. Fazendo um bom trabalho, não estarei contribuindo apenas pelo lazer e entretenimento do público, mas fomentando a principal função destes espetáculos que é de estimular o caráter reflexivo e pensativo do público acerca das questões tratadas.

Meta 5: Restringir meu consumo alcoólico a 24 dias do ano

Quando voltei do Canadá, estava desacostumado a beber. Isso porque lá (no caso, em Toronto) bebida é algo relativamente caro, e a própria estruturação do país não fomenta o consumo alcoólico (não se vende bebidas alcoólicas em lojas exceto as destinadas a esse fim específico – LCBO e Beer Store¹ – tampouco se pode servi-las após as 2h da manhã). Assim, voltei com uma resistência muito baixa e um pouquinho de qualquer tipo de bebida já vinha com seus efeitos. Diante desses limites ultrapassados tanto nas poucas vezes em que bebi muito no Canadá, quanto as bebedeiras desde que voltei ao Brasil, cheguei à conclusão que estou atingindo um nível não saudável. Um dos motivos é relacionado ao meu dia posterior, que fica comprometido com a famosa ressaca (coisa que eu não costumava ter) e afeta meu rendimento em estudos, afazeres domésticos, etc. A ressaca moral também vem sendo um elemento recorrente, e não é nada agradável, hahaha. Tracei 24 dias porque seria o correspondente a 2 vezes por mês, o que acho uma quantidade “aceitável”, mas vamos deixar a meta em aberto e quando atingir nós dobramos hahahaha Brinks, a meta está fechadinha mesmo.

Meta 6: Ler pelo menos 12 livros não-acadêmicos

Este ano foi interessante para mim em termos de leitura, pois não apenas tive a oportunidade de desfrutar de diversos livros, mas também me arriscar em variados estilos. Comecei o ano continuando (e finalmente finalizando) a leitura da biografia da Cheryl Cole, que veio de família de baixa-renda de Newcastle e chegou ao posto de “queridinha do Reino Unido”. Outra vida que explorei foi a de Janet Mock, em seu maravilhoso livro Redefining Realness, que discute toda a construção da identidade de gênero da jornalista, e tudo que ela sofreu durante a infância e adolescência no conturbado ambiente (e, em algumas instâncias, acolhedor) onde cresceu como mulher trans, negra e pobre. Pude aprender um pouco mais sobre o período do holocausto com os quadrinhos Maus I e II do Art Spiegelman (cartunista de quem tive conhecimento em uma exposição maravilhosa na Art Gallery of Ontario). Contrastei a importância dada ao destino e a razão nas obras de Édipo Rei e Hamlet. Segui a dica de Luba em um de seus posts aqui no blog e tive também uma surpresa boa por Fernanda Torres como escritora ao ler sua obra ficcional com elementos corriqueiros da vida carioca intitulada Fim. Li o livro da peça teatral Viúva Porém Honesta do Nelson Rodrigues da qual já havia visto uma montagem em um teatro de Recife realizada pelo grupo Magiluth, e o fascínio me levou a outra obra do autor: Toda Nudez Será Castigada. Conheci mais a fundo o realismo – e seus movimentos relacionados – no teatro através de peças como Casa de Bonecas do Henrik Ibsen, Um Bonde Chamado Desejo do Tennessee Williams e, a última que li no ano, o Despertar da Primavera de Frank Wedekind (um dos precursores do expressionismo). Simultaneamente a esses livros, desde a minha segunda aula do teatro comecei a ler os poucos a obra A preparação do ator do Stanislavski, criador do método utilizado pelo meu professor de teatro. Assim, depois de olhar para 2015 e ver que consegui até ler bastante coisa, decidi incluir essa meta para não perder esse estímulo em 2016.

Embora as minhas metas sejam bem pessoais, algumas são passíveis de replicação por outros (e uma das razões por me interessar posts de metas alheias é a possibilidade de atrelar estas às minhas). E, de qualquer maneira, esse post serve para vocês me conhecerem bem mais a fundo. Não só por ter citado coisas que passei e vivenciei no passado e, principalmente, durante este ano; mas, principalmente, porque aqui estão os meus motores para o ano que está por vir. Espero daqui a um ano poder voltar e escrever um post começando por “DONE!”. Por enquanto, fiquemos só nas expectativas.

Uma ótima temporada de festas (embora o Natal já tenha passado) e uma excepcional transição de 2015 para 2016 na vida de todos vocês! =D

¹ Neste mês, houve uma mudança nas regras de bebida em Ontario (província em que fica situada Toronto), e passou a se permitir a venda em algumas mercearias. Link para a matéria: http://www.ontario.ca/page/beer-sales-grocery-stores

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