No vento que bate pra gente se secar

Poucas coisas são mais desmoralizadas que promessas de ano novo. Ainda sim, vamos os três tentar resgatar a reputação das pobres resoluções e colocar aqui os nossos balanços deste 2015 e perspectivas para 2016. Eu começo a rodada de resoluções de “adeus ano velho” e os meninos vem dia 29 e 30 com as suas.

Acredito que 2015 foi um aninho bem complicado, mas frutífero a beça. Aprendi um bocado de coisas e a mais especial delas (das mais tradicionais de se aprender enquanto se está aprendendo coisas) é o tamanho das faltas. Hoje eu tenho uma casinha ótima, amigos bacanas e um mestrado trilonge, como eu sempre sonhei. Mas essas coisas cobram da gente e nos fazem perceber como somos seres faltantes.

2016 tem um ar de marco para mim, pois é o ano que eu oficialmente vou deixar de cantar a plenos pulmões que ‘tenho 25 anos de sonho, de sangue e de América do Sul’. Curiosamente, foi exatamente aos 25 anos que eu descobri que há muito mais América do Sul no Brasil e em mim do que eu pensava, virando inclusive falante fluente de espanhol a partir da segunda cerveja. Ao fazer 26, para mim vai ser efetivamente ‘fazer a curva’ rumo aos 30, idade que é típica dos meus irmãos e dos meus primos: eu sempre fui caçula das duas famílias, chegar aos 18 já foi meio surreal. E pensando nessa curva feita rumo aos 30 anos e seus retornos de saturno, vou tentar projetar um passo do tamanho da minha perna. Afinal já estou oficialmente comprometida com um rehab organizacional, o que não é pouco, pelo menos para mim.

Para 2016 eu quero aprofundar meu rehab organizacional e começar um de consumo. Racionalmente, eu sei todos os motivos de cor para parar de ter esse faniquito comprador dentro do meu coraçãozinho. Tempo e dinheiro são as duas coisas que, se você contabiliza, tem o bastante mas, se não aprende a controlar, nunca são o suficiente.

Mas mais do que essas questões contábeis, do tempo ou das finanças, eu estou nesse momento de aprender a gostar mais e mais a ficar comigo mesma. É parte inerente da vida, embora a gente demore um pouquinho a se deparar com isso. Desacelerar, parar, olhar, repensar, tentar mudar o ângulo, cavar bem dentro da gente…foi um momento inevitável em 2015, mas que tá dentro de mim, e vou levar mais ainda para 2016. E parte dessa vontade me organizar vem justamente de eu querer gerar um ambiente bacana para passar esses tempinhos comigo.

Conhecendo há 25 anos o tamanho da minha perna, acho que esse passo tríplice, de rehab organizacional, financeiro e meditativo me parece trabalho suficiente.

Um beijo carinhoso para todos os leitores, pros companheiros de blog, pra Porto Alegre que eu deixo durante as férias e pra Recife, que tá me fazendo muita falta, mas que eu revejo a partir da semana que vem. Vejo vocês em 2016, do outro lado da curva dos 30. Para contextualizar o título do post, vou colocar essa música lindalinda do Marcelo Camelo, que me acompanhou um bocado esse ano, e que ainda não cansou meus ouvidos.

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