“Sobre estar só, eu sei”

Não estou falando de solidão nem de solterice, mas de estar consigo mesmo. Qual foi a última vez que vc esteve só com vc, só com seus pensamentos, sem amigos, família ou celular pra lhe distrair?

Me mudei para o rj sozinha e foi a primeira vez que realmente tive que lidar comigo mesma. Apesar de eu sempre ter sido uma pessoa mais introspectiva e que gosta do meu próprio espaço, meu próprio tempo e do silêncio, só com essa mudança comecei a perceber o eu no meio do coletivo.

Deixa eu explicar melhor: vc não está realmente sozinho até começar a fazer programas sozinho. Porque, pelo menos eu, quando estou naquele momento só em casa, normalmente é pensando em algo específico, arrumando alguma coisa, criando um pensamento, algo assim. Mas quando vc vai para um museu, um show, uma peça e não tem como quem comentar ou interagir nesse momento, é ai que vc percebe que tem sim: você.

Claro que companhia é bom e potencializa diversos momentos. Mas o que eu quero dizer é que não ter companhia não pode ser um fator impeditivo pra nada na vida. No último ano, fui a três shows sozinha: Foo Fighters, Of Monsters and Men e Los Hermanos, e vou te dizer, todos valeram absurdamente a pena e eu teria me arrependido muito de não ter ido. Em cada um fui sozinha por um motivo: tinha acabado de chegar no rj e não tinha conhecia ninguém que ia pra FF, estava numa viagem em San Diego e ali conhecia ainda menos gente pra convidar pra OMAM, e foi muito perto da minha viagem pra combinar com qualquer pessoa de ir pra LH. Mas o show em si é um momento super pessoal de vc com a banda que representa algo pra vc. É estritamente necessário estar com outras pessoas pra curtir isso? Descobri que não.

A parte mais chata é o antes (porque depois vc está tão extasiado que sai rindo e cantando sozinha), que é exatamente aquele momento em que vc se vê sem distrações. E esse é o momento mais profundo de intimidade consigo mesmo. E de sinceridade, porque não? Não tem ninguém pra lhe impedir de fazer nada, nem pra julgar, vc pode fazer o que vc quiser, do jeito que quiser, hora que quiser.

Link para detalhes do vídeo aqui

Esse vídeo me tocou de muitas formas e vem sempre a mente em momentos diversos (amo a história da música no carro). Um desses foi ontem no show (talvez o melhor da minha vida) de Los Hermanos. E posso até estar embaralhando assuntos, mas pra mim aprender a estar só é aprender a viver sem distrações, e se permitir sentir e estar em cada momento.

Seja indo para um show desacompanhada ou seja chorando por causa de uma música, aprendi que estar só não é menos, é mais. Aprender a lidar consigo abre horizontes e aumenta padrões. Quando vc sabe se fazer companhia, vc não aceita mais qualquer companhia: tem que ser de vc pra cima. Estar só não é se limitar, é se permitir.

Agora acabei lembrando desse texto que sempre achei que fosse de Veríssimo, mas a internet acabou de dizer que a internet mentiu, na verdade, o texto é de Sarah Westphal. De toda forma, se chama Quase e eu ia linkar aqui, mas achei tão pertinente que vou copiar inteiro.

Quase

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Nada mais de meios sentimentos, só aceito o mundo todo.

Post escrito ao som da lista Café da Manhã do Superplayer (a minha preferida <3)

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