RuPaul’s Drag Race, um reality show nada tradicional

Neste post, falarei um pouco do reality show que mudou bastante minha visão, fundamentada em uma série de preconceitos, de uma das expressões artísticas que mais atrai meus olhares atualmente: a cultura drag.

Drag, acrônimo para “dressed resembling a girl” (vestido semelhante a uma garota), é um termo atribuído a pessoas que se travestem para fins artísticos. Embora a origem da palavra esteja ligada à transformação de homem para mulher, hoje em dia se vê o vocábulo associado tanto a drag queens, quanto drag kings (que seria o caso de quem se veste de homem).

Presentes desde sempre na cultura LGBTT, drag queens tiveram um boom de popularidade nesses últimos anos decorrente da difusão do programa RuPaul’s Drag Race.

Apresentado por RuPaul Charles, ícone-drag desde o fim dos anos 80, o reality é o que eu chamaria de uma mistura de Project Runway, America’s Next Top Model e Big Brother, mas protagonizado por drag queens.

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A ideia central é eleger uma drag que possua o carisma, singularidade, coragem e talento necessários para assumir o título de “America’s Next Drag Superstar” e, para isso, os participantes passam por uma série de desafios que medem todas as habilidades que uma drag queen deve possuir. E foi essa diversidade de capacidades que me despertou tanto interesse nestes artistas. Nos desafios, vemos eles serem testados em domínio de maquiagem, desfile, atuação, canto, dança, dublagem, comédia, etc.

A pluralidade não se verifica apenas no pacote de habilidades que é preciso ter, mas também nos diversos estilos de fazer drag que o programa traz à tona. Temos andróginas, imitadoras, góticas, femininas (referidas pela gíria fishy), comediantes, de concurso, etc. A expressão não se limita e no programa passam alguns looks bem fora do tradicionalismo (se é que pode se dizer que há algo “tradicional” na cultura drag), como o Milk, que usa elementos como bigode, barba e dentes sujos em alguns de seus visuais.

Assim como todo bom reality show, os participantes passam por um turbilhão de emoções e nutrem diferentes sentimentos em relações a seus concorrentes. Isso se torna ainda mais forte por estarmos tratando dos “melhores” profissionais de um ramo específico de um país, então por vezes alguns já se conhecem de antes do programa e isso tanto pode fomentar alianças (como o caso das Heathers na 3ª temporada, grupo formado por Manila Luzon, Carmen Carrera, Delta Work e Raja, tendo as duas últimas já se conhecido antes do show), quanto trazer à tona rivalidades antigas (como o clássico embate entre Coco Montrese e Alyssa Edwards na 5ª temporada).

No ar desde 2009, é perceptível a evolução na produção do programa – cujos recursos para as primeiras temporadas eram escassos e repercutiam não só em uma qualidade de imagem baixa, como temporadas curtas e com desafios mais simples. O enfoque do programa também mudou um pouco, e enquanto nas primeiras temporadas a atenção se concentrava nos desafios de costura, nas últimas veio se prezando muito mais por atuação (em especial, para comédia).

Apesar dessas mudanças, os desafios seguem um padrão e alguns são recorrentes nas temporadas como o Snatch Game, em que as queens têm de incorporar algum famoso em um joguinho de perguntas, e o desafio de Makeover, no qual elas têm de transformar uma outra pessoa em drag (já tendo ocorrido com gays de idade avançada, heterossexuais, pais, veteranos de guerra e noivos – para serem transformados em noivas).

Um grande atrativo do programa é a fábrica de memes. Primeiro porque o próprio RuPaul já insiste em deixar expressões na nossa mente, como o uso de “Shanté, You Stay” para anunciar a vencedora do duelo final2 e “Sashay Away” para anunciar a eliminada, ou o questionamento “Can I Get An Amen?” ao final de todos os episódios. Segundo porque os próprios participantes, além de em sua maioria serem bastante caricatos, soltam frases marcantes o tempo inteiro. Tem o “loca” da Nina Flowers, o “the shade of it all” da Latrice, o “hiiiin” da Alaska, o mantra “water off a duck’s back” da Jinkx, o “not today, satan” da Bianca, o “okurrrr” da Laganja, o “absolutely” da Gia e muito mais. Esses momentos já fomentaram várias compilações, dentre as quais se destaca o fanmade mix Drop Dead Gorgeous, com as caras e bocas da Alyssa Edwards.

Em 2016, no início do ano, será lançada a 8ª temporada e, no final, o All Stars 2 (edição realizada com ex-participantes). Poderia passar horas e mais horas escrevendo milhares de linhas sobre o programa, mas tenho medo de acabar soltando algum spoiler e estragar a emoção de vocês. Então vou parar por aqui e deixar o trailer da 6ª temporada, que vai mostrar um pouquinho dessa maravilha. E vocês tratem de correr para o Netflix1 para assistir e se deliciar com esses artistas incríveis!

Minha opinião sobre as temporadas: Particularmente, as minhas favoritas são a 6ª e a 4ª. A 7ª possui os melhores desafios, mas acho que o elenco deixou bastante a desejar, e aí os desafios por mais promissores que fossem não atraíam tanto. A 5ª começa a deslanchar a partir do Top 8, mas até lá ela vai andando quase parando (por isso que não enquadro nas minhas favoritas, embora minha drag favorita tenha surgido desta temporada).

1 Inicialmente o Netflix oferecia todas as temporadas, mas por alguma razão eles tiraram a 1ª do catálogo, e agora só tem da 2ª à 6ª (a 7ª ainda não foi adicionada).

2 Sempre ao final do episódio, as duas queens que desempenharem pior performance (desafio + desfile final) disputam a permanência em um lipsync (dublagem) de uma música pré-determinada. A decisão de quem fica e quem é eliminado fica nas mãos do apresentador RuPaul.

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