Antoninho e a corrente do bem

Semana passada, combinei com uma colega do teatro de nos encontrarmos às 12h na orla da praia de Icaraí (uma das praias daqui de Niterói) para ensaiar uma cena que tínhamos que apresentar para uma avaliação. Enquanto a esperava, conversando com outra colega do teatro que apareceu por lá, um senhor idoso se aproximou de nós em uma cadeira de rodas automática.

Seu nome? Antoninho de Icaraí. Primeiro perguntou se éramos brasileiros; em seguida, adiantou que não estava ali para ganhar nada, apenas queria mostrar para nós sua obra caso estivéssemos livres para ouvir. Com o nosso consentimento, ele começou a declamar um poema bem bonito (tirando o fato de começar com algo como “sol, por que se escondes de mim?”, pois no calor absurdo que tava fazendo o dia, eu seria bastante feliz se ele resolvesse se esconder de fato haha).

Contou-nos um pouco de sua vida: atualmente está com 85 anos de idade e vive há 60 anos com a mesma pessoa. Coincidência ou não, 60 também é o número que ele escolheu para começar a escrever, e há 25 anos ele faz poesias. Com relação ao hábito de escrever, ele confessou: “e foi assim que eu descobri o lado bom da vida”. Antoninho segue a filosofia de “tudo que vai, volta” e usando das palavras para transmitir sua alegria de viver, ele afirma que vem colhendo energias bem positivas.

Após deixar conosco dois de seus poemas, ele desejou que tivéssemos um ótimo final de semana e continuou seu trajeto pela orla, parando pouco mais adiante para transmitir sua mensagem para outras duas jovens.

9 - Antoninho de Icaraí (1)

9 - Antoninho de Icaraí (2) 9 - Antoninho de Icaraí (3)

Se aquele sol e a espera pela minha colega que já estava atrasada há mais de 30 minutos estavam me deixando irritado, nada como a energia de Antoninho para melhorar meu espírito. Por alguma razão, lembrei de um de meus filmes favoritos, A Corrente do Bem (Pay It Forward), que ao invés da filosofia do “tudo o que vai, volta”, segue o ideal de que “tudo que vem, pode ser passado adiante”.

Nesta obra, um professor, interpretado por Kevin Spacey, lança para seus alunos a tarefa de criar algo que possa mudar o mundo. Eis que um deles, interpretado por Haley Joel Osment (o menininho de O Sexto Sentido), incentivado pelo desafio do professor, cria um jogo chamado “Pay It Forward”. A ideia é de que, a cada favor recebido, ao invés de ser retribuído, deveria ser passado adiante ajudando outras três pessoas.

9 - Pay It Forward

Não vou entrar mais em detalhes, mas garanto que o filme é maravilhoso e mexe bastante com a pessoa. Se você ainda não teve a oportunidade de assistir, assista!

Embora o filme trate de ajudar alguém com algo que ela por si só não é capaz de fazer (essa é uma das regras que o personagem do Haley usa na concepção do jogo), podemos reaplicar as ideias do filme em vários outros contextos. No caso de Antoninho, tudo que ele fez foi se aproximar de mim e transmitir sua visão de vida, que me cativou e melhorou meu dia. Seguindo os ensinamentos do filme, meu papel agora é de buscar uma forma em que eu consiga transmitir essa energia adiante, tentando iluminar outras pessoas assim como ele me iluminou. No final, Antoninho irá, indiretamente, colher os frutos que ele plantou, pois sua semente estará germinando mundo afora. Na verdade, ela já está.

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