um Teto para mim

Gentxs, depois que escrevi que eu vi o quão disperso e pessoal foi esse post, hahaha. O objetivo final não foi falar da organização na qual sou voluntária, a Teto [que eu falo o Teto]. Por enquanto, não vou entrar em detalhes de modelo de trabalho da organização, vou deixar o link [http://www.techo.org/paises/brasil/] e permitir que vocês procurem por si mesmos. Mas vcs ainda vão ouvir falar muuuuuito disso. O objetivo hoje é falar da minha trajetória até chegar nesse voluntariado, ta?

Minha primeira lembrança de “interesse social” foi na aula de geografia humana na oitava série com o professor Alfio. Lembro do quanto a gente discutia sociedade [mais que política] e que aquelas aulas acenderam em mim não só uma vontade, mas uma necessidade de mudar o mundo. Comecei por ai algumas formatações de pensamento que tenho até hoje. Mas ai entra adolescência, namoro, vestibular e a vida vai passando. Honestamente, dez anos depois, eu nunca tinha feito nada [e ainda sinto que não fiz].

Diferente de muita gente, entrar em economia para mim foi uma escolha social. Não fui uma daqueles calouros desacreditados porque economia não é finanças, muito pelo contrário, economia se mostrou muito mais do que eu imaginava e se tornou uma instrumentalização do meu pensamento e potencial de resolver problemas [aka como salvar o mundo]. Desde meu primeiro ano de faculdade, trabalho com pesquisas em educação, saúde e crime. Minha monografia foi “como a violência nos bairros afeta o desempenho dos alunos” e eu achava que estava fazendo algo importante, até que uma das pessoas que mais me inspirou, garotinha Laís, me perguntou: você já foi numa escola pública? O “não” que prosseguiu essa pergunta foi meu baque. Decidi tomar vergonha na cara e agir, mais ai entra monografia, formatura, fim de namoro, mudança de cidade. De novo, fiquei só na vontade e na falta de atitude.

No rio, passei quase um ano de bobeira, estilo ano sabático. Foi desperdício? De jeito nenhum! [E vcs vão saber de tudo em algum momento] Mas há mais ou menos 6 meses decidi que já deu, lets get back on track. E o mais lindo é ver a vida se alinhando pra você. Decidi que meu próximo passo seria o mestrado, mas dessa vez não em economia, em políticas públicas.

[Ai, posso dar uma pausa pra essa história maravilhosa que mostra como a vida conspira ao seu favor e as oportunidades brotam? Na época que comecei a pesquisar, só via mestrados profissionais e eles são bem impeditivos pelo preço [gente, não ganhava nem 1500 por mês e só a mensalidade era mais que isso, não é assim que a vida funciona]. Nessa época, eu trabalhava num bar que a gente tem muita liberdade de conversar com clientes [meus melhores amigos de hoje em dia surgiram daí] e um dia o ar-condicionado quebrou. Estava absurdamente impossível continuar no estabelecimento, então a galera foi embora e fechamos cedo. Uma das mesas que menos conversei no dia perguntou pra onde seguir a bebedeira, aproveitei e seguí-los. Num é que eles eram economistas? E mais, no próximo bar, encontramos um professor deles que me passou todas as dicas de onde achar o mestrado acadêmico que eu queria. Quem imaginaria? Sério, obrigada vida.]

Enfim, meu primeiro passo para essa jornada acadêmica foi assistir uma cadeira [ou matéria] como ouvinte [pra quem tenta/tentou/tentará entrar na academia, sabe como o babado é fechado, vc tem que se infiltrar] e foi nessa aula que conheci a Dany. Ela nem sabe que a passagem dela na minha vida foi tão rápida e tão impactante. Ela também estava como ouvinte e me contou que trabalhava numa organização superbacana chamada Teto. O engraçado é que ela estava tão ocupada que acabou nem assistindo as aulas até o final, e pouquíssimas vezes conversamos sobre isso, mas ela foi tipo um anjinho enviado só pra dar aquela sugestão, pra fazer brotar a ideia {inception feelings}. Pesquisei um pouco, me interessei e em menos de um mês tive a oportunidade de participar de uma feira de voluntários e entrei pra trabalhar como voluntária no escritório.

Passei poucos meses trabalhando, me encantando cada vez mais, mas ainda não tendo o sentimento de pertencimento e de estar fazendo a diferença. Mas tudo mudou. Esse mês teve o I Encontro de Voluntários do Teto, um encontro nacional com voluntários fixos. Posso dizer que foi a primeira vez desde junho que eu me senti realmente pertencendo e tive vontade de gritar aos quatro cantos sobre essa experiência, não no sentido de voluntário-herói como tanto debatemos no final de semana, mas no sentido do extremo orgulho que sinto de poder participar de uma organização tão massa. Nunca me senti tão inspirada na vida quanto nesse encontro. Sabe quando dá aquela vontade e força de viver e fazer o máximo possível? Pronto! Estar rodeada de tanta gente linda e disposta a mudar reacendeu em mim uma vontade de viver que fazia tempo não sentia.

E olha, é muito fácil se desiludir com a humanidade e ser pessimista. Eu falo porque sinto na pele. Toda vez que vejo uma barbaridade ou um simples ato de seres humanos sendo menos que humanos, até jogando lixo no chão, penso automaticamente “pára o mundo que eu quero descer”. Me sinto um alienígena nesse planeta. Mas quando lembro do Teto, das pessoas que participam, da energia, da urkunina, não dá pra ser pessimista. E olhe que [vergonha ao admitir isso] ainda nem entrei em contato com comunidade. Próximo mês tem construção e tenho certeza que vai vir um post extremamente apaixonado sobre isso. Aguardem e confiem, assim como eu estou aguardando ansiosamente.

Desse tanto que falei, tenho três conclusões finais:
i. O mundo/universo/deus/natureza/vida/energia vai sim conspirar ao seu favor, é só tomar a decisão e, principalmente, dar o primeiro passo. A partir daí, as coisas vão conectar em você das formas mais inesperadas [vide Dany e o professor];
ii. Dá sim pra mudar o mundo. Não precisa ir pra áfrica nem pra favela, mas se vc tomar pequenas decisões pessoais, sua vida vai ser mais feliz e leve. Lembre do ditado que antes de mudar o mundo, dê três voltas na sua casa. Pode ser fechando a torneira enquanto escova os dentes, pode ser dando um sorriso verdadeiro ao entrar no elevador, pode ser respirando e agradecendo pela respiração. Repense seus atos, pensamentos, objetivos. Responsabilize-se.
iii. E pra quem ainda está cético, esse texto não é emotivo e me fez ser super positiva quanto ao futuro: Abundância – NOO. Somos sim a primeira geração com capacidades reais de mudar o mundo.

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